Transcendência vertical. Imanência horizontal. Eis a cruz!



Desde que comecei a ler Viktor Frankl, confesso: apaixonei-me pela forma como ele conduz a busca pelo sentido da vida. Algo que nos eleva por mostrar o mundo para além de nós mesmos. Um compromisso que não se encontra nesta vida, mas em uma transcendência ou “re-ligação” com um sentido que há muito perdemos por conta do materialismo, do imediatismo e do hedonismo dos dias atuais.

Este sentido mostra uma transcendência VERDADEIRA que se faz imanente. Isto nos enche de amor e significado na pior das turbulências. Quem alcança isto de forma ampla e irrestrita é capaz de atravessar as trevas sem temer. Eu sou pequeno demais para isto e ainda peço muitas forças a Deus em dificuldades tão pequenas se comparada às grandes tarefas de mártires e homens santos.
Frankl encontrou a centralidade da pisque na mais difícil das situações: um campo de concentração. 

Tiraram tudo de Viktor Frankl, menos ele dele mesmo. Frankl era judeu, mas em sua obra há uma grande alusão – a meu ver ao menos – ao cristianismo. Frankl transcendeu, mas encontrou sentido na vida imanente.

Nós, cristãos, sabemos que nosso Reino não é aqui. Não nos ajoelhamos para ninguém deste mundo, mas sim de outro que nos convida a uma proposta sem qualquer mentira. Ele – o Cristo - nos diz a VERDADE quando pesca homens na praia. Não há processo seletivo, mas algo forte a ser ouvido: “se queres me seguir pega tua cruz”. Fraquejamos por demais neste processo por só entendermos o que é ser um instrumento dentro dos planos de Deus quando as tribulações se afastam e fazem sentido.

Frankl passou pelo que passou e deixou um legado para a humanidade, por exemplo. Trazendo para a imanência da vida cristã, vemos a importância do testemunho diário e de vivenciar a transcendência no aqui e agora e não somente dentro de uma Igreja. Diante das dificuldades e atribulações do cotidiano, pensem nos mártires. Diante da tibieza espiritual, pensem nas noites escuras de São João da Cruz, pensem nas cartas de Santa Teresa de Calcutá, nas moradas interiores de Santa Teresa. Pensem no próprio Cristo de braços abertos em um ato pleno de amor. Orem para entender. Peçam, clamem por isto. Aliem estes dois eixos: transcendência e imanência.

Busquemos entender como o Logos se completa (o que foi tema de um dos meus textos anteriores). Sempre me chamou muito atenção – durante meus estudos de teologia – esta lógica que vem do céu.
Ora, a vida cristã possui uma dimensão no aqui e agora. É na imanência onde vivenciamos os valores oriundos da transcendência. Percebam que a imanência é horizontal. Porém, a transcendência é vertical. Não é por acaso que formam uma cruz a nos religar aos céus numa compreensão maior de nosso papel aqui para com Deus, com o próximo e conosco mesmos.

Então, tenha coragem. Siga-O. Tome a sua cruz.

É quando nos deparemos com a centralidade da pisque na pior das tribulações. Isto mudou muita coisa na minha vida. Se antes eu tinha ataques de raiva por pouca coisa, hoje é preciso muito para me tirar do sério.

A obra de Tomás Kempis – Imitação de Cristo – mostra bem essa “relação imanência x transcendência”. Na Bíblia Sagrada, isto pode ser encontrado nas cartas de Paulo. Ali, sempre há reflexões sobre o comportamento dos cristãos no “aqui e agora”, com viver, como se conduzir no mundo, enfim...

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