E quando o desânimo bate à nossa porta?

Na nossa vida, por vezes, somos tomados por uma preguiça de se manter firme na oração, espécie de desânimo espiritual, que coloca em xeque tudo o que vivemos com Jesus, e nos faz pensar se realmente vale a pena segui-Lo. 

"Pensais que Ele está calado? Mesmo que não o ouçamos, Ele nos fala ao coração quando de coração lhe pedimos” (Santa Teresa de Ávila, doutora da Igreja).

Desde a primeira experiência que temos com Deus, a nossa caminhada cristã segue em torno da intimidade que temos com Ele. Se estamos tristes ou felizes, fatigados ou descansados, ocupados ou livres, temos o desejo de servir ao Senhor, pois Seu amor aquece a nossa alma e isso nos faz bem, como Santo Agostinho já disse "fizeste-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em Ti".

No entanto, após algum tempo de vida orante, começamos a sentir a chama do nosso coração apagar. O amor que sentíamos no começo, ao entrar numa capela ou debulhar o Santo Rosário, já não é mais vívido como antes. Pelo contrário, rezar se torna enfadonho, ler quaisquer escritura referente ao Sagrado é agora um grande desafio, e orar se transforma num fardo pesado demais. 

Como prosseguir diante de tamanho desânimo? Se nosso coração não vê mais a razão para pulsar, então ele há de parar, pensamos, e por isso, muitas vezes, fugimos e caímos. A tentação de abandonar a cruz cresce e parece não haver outra saída.

Onde está o fogo que abrasava nosso coração no começo? Onde estão todas aquelas certezas que tínhamos ao ouvir a voz do Senhor? Acaso foi apagado e o Bom Pastor abandonou o seu rebanho? Jamais! Ditoso erro de nossa mente mundana, acostumada com as traições dos homens... 


Deus não nos abandona e Seu amor é imutável (Hb 13,8). Mas, para que cresçamos, temos de compreender que a nossa fé não é algo que nossos sentidos possam compreender. Orar não deve ser uma diversão, por assim unicamente reduzir, para fazermos quando quisermos e da forma que quisermos, mas um estilo de vida a ser buscado diariamente. Somos acostumados a ter o que queremos em nosso tempo e da nossa forma, mas ao adentrarmos no secreto - o caminho com Deus - precisamos compreender que Ele é o Senhor e que dEle são todas as coisas.

Quando nos faltar vontade de orar, oremos até que essa vontade volte, conforme nos diz a mestra da oração Santa Teresa de Ávila, "o homem não pode verdadeiramente declarar-se filho de Deus sem uma determinada determinação". Se Ele nos tira o ânimo de prosseguir é para que passemos a depender mais de Sua presença, que quebremos nosso comodismo e tenhamos a decisão de ser firme, mesmo em tempos difíceis.

Nos diz São Josemaría Escrivá: "Persevera na oração, ainda que o teu esforço pareça estéril, a oração é sempre fecunda". Que possamos ver essas ocasiões como dádivas de Deus, um chamado a um amadurecimento, em que Ele nos mostra que, para lhe ser fiel, não é necessário demonstrações carregadas de sentimentalismo, mas a "determinação determinada" de Santa Teresa de Ávila.

José Aldo 
Consagrado a Jesus pelas mãos de Maria, tem 16 anos e é estudante de Informática - IFAL. Faz parte da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro - Maribondo/AL, onde integra o Ministério Sal e Luz e a Legião de Maria.

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.