Família: tradição, escola de santidade e amor, projeto de Deus


A família nunca foi tão analisada, estudada e refletida como nos últimos tempos. Intelectuais estudam sobre os “novos modelos de família”, estudantes, jovens estão sendo chamados a refletir sobre mudanças na chamada família tradicional, estão sendo levados a pensar que “a regra é não ter regra” (uma expressão muito superficial e fútil, inclusive). Entretanto, são poucas as reflexões a cerca do que realmente é uma família. São raras as reflexões voltadas para valores, religiosidade, ou seja, são poucas as reflexões voltadas para a verdade.

Na condição de vestibulanda, fui guiada, inúmeras vezes, a refletir, estudar e dissertar argumentativamente a cerca das famílias modernas, a cerca dos novos valores que o Marxismo Cultural deseja nos fazer engolir de forma alienada, buscando fechar, a qualquer custo, nossos olhos para a verdade que salva.  Aqui, coloco minha própria realidade: se os valores que adquiri e defendo, por meio dos meus pais, não fossem sólidos, se o Espírito Santo não incitar, diariamente, seus dons e a vontade de entender, buscar a verdade e não estacionar diante dessas barbaridades, certamente eu iria seguir a maré e meus conceitos, conclusões, seriam controversos, como os de muitos jovens. Inclusive jovens que fazem parte da nossa Igreja Católica, mesmo guiados pela ignorância e omissão.

Não se tem mais a figura do pai protetor, sustentáculo, tampouco da mãe que cuida, educa, zela pelo bem-estar de sua família. Os papéis são controversos, não existe mais cumplicidade entre os casais, os filhos crescem desordenados, sem valores, com uma educação que certamente é destinada às Instituições Escolares, babás, ou os próprios aparelhos eletrônicos. Isso se houverem filhos, pois os métodos contraceptivos cumprem muito bem seus papéis.  Chega a ser absurdo de se pensar! E mais absurdo ainda é lembrar que essa realidade é encarada como desenvolvimento, evolução, como adequada, comum para os dias atuais.

Quando se tem o desejo de construir uma família, mais do que valores, educação cristã, os pais de hoje em dia prezam as roupas, as escolas, os brinquedos, fraldas que custam caro, como se essas coisas permanecessem na vida de seus filhos até o fim, valorizando o dinheiro ao carinho, dando prioridade ao trabalho e desprezando dedicação, tempo de convívio, de afeição, de amor. É como se tudo acabasse na realidade imanente, esquecendo-se de desejar o Céu pros seus filhos, omitindo-se para uma realidade que coloca por terra todas essas necessidades fúteis e passageiras: os filhos devem ser criados para o Céu, para Deus. Entretanto, mais difícil que ter essa verdade ignorada pelo mundo, é saber que nossas famílias católicas estão contaminadas com esse mal, de forma que os jovens namoram, casam e constroem uma família alicerçada em areia movediça, passando esse legado pros seus filhos, que correm o sério risco de perderem sua Salvação e passarem esse legado adiante! Vejam bem, não excluo a necessidade de sustento e a importância do trabalho no meio familiar, pelo contrário, elevo essa realidade, que deve ser realizada e pensada pelos pais com muito amor e dedicação, pois faz parte da criação santa, tão querida por Deus.

Segundo a Exortação do Papa Francisco: AMORIS LAETITIA, SOBRE O AMOR NA FAMÍLIA, “Como cristãos, não podemos renunciar a propor o matrimônio, para não contradizer a sensibilidade atual, para estar na moda, ou por sentimentos de inferioridade face ao descalabro moral e humano” (Capítulo II, parágrafo 35). Ainda “O sacramento do matrimônio não é uma convenção social, um rito vazio ou o mero sinal externo dum compromisso. O sacramento é um dom para a santificação e a salvação dos esposos, porque «a sua pertença recíproca é a representação real, através do sinal sacramental, da mesma relação de Cristo com a Igreja. Os esposos são, portanto, para a Igreja a lembrança permanente daquilo que aconteceu na cruz: são um para o outro, e para os filhos, testemunhas da salvação, da qual o sacramento os faz participar» (Capítulo III, parágrafo 72) 

São Ricardo, padroeiro da família, Inglês, nobre e rei, vocacionado ao matrimônio, teve três filhos reconhecidos pela Igreja como santos. Lutou diariamente para santificar sua família, seus filhos, seu lar, com alegria e devoção. Seu testemunho, juntamente com a Sagrada Família, primordialmente, devem ser nossos verdadeiros exemplos. Ao contrário dessas realidades que querem nos fazer engolir a qualquer custo, nas escolas, meios de comunicação e roda de amigos.

O pai protetor, como São José, a mãe dócil, servil, como Maria Santíssima, os filhos obedientes, educados com amor, pelos seus pais, a exemplo de Jesus, esses sim são nossos exemplos, esses sim carecem de nossa dedicação, estudo, reflexão.

“A aliança de amor e fidelidade, vivida pela Sagrada Família de Nazaré, ilumina o princípio que dá forma a cada família e a torna capaz de enfrentar melhor as vicissitudes da vida e da história. Sobre este fundamento, cada família, mesmo na sua fragilidade, pode tornar-se uma luz na escuridão do mundo”. (Amoris Laetitia- Capítulo III, Parágrafo 66)

E não me venham com o discurso de que a família tradicional, moldada na Sagrada Família, é um modelo ultrapassado, que não se sustenta na realidade atual. Deus não muda, bem como seus planos continuam intactos. A família é um plano de Deus, o frutificar dos filhos é um desejo de Deus. E para ganharmos a Recompensa Eterna, é preciso seguir os planos e a vontade de Deus para nossas vidas, porque cada ser humano guarda em si a NECESSIDADE de voltar a contemplar a face do seu Criador, e só isso, a certeza do céu, poderá nos fazer felizes e fazer nossas famílias santas e saciadas.


A família tem a sua origem naquele mesmo amor com que o Criador abraça o mundo criado, como se afirma já «ao princípio», no livro do Gênesis (1, 1). Uma suprema confirmação disso mesmo, no-la oferece Jesus no Evangelho: «Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho unigênito» (Jo 3, 16). O Filho unigênito, consubstancial ao Pai, «Deus de Deus, Luz da Luz», entrou na história dos homens através da família: «Pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-Se de certo modo a cada homem. Trabalhou com mãos humanas, (...) amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado» (3). Se é certo que Cristo «revela plenamente o homem a si mesmo» (4), fá-lo a começar da família onde Ele escolheu nascer e crescer. Sabe-se que o Redentor passou grande parte da sua vida no recanto escondido de Nazaré, «submisso» (Lc 2, 51) como «filho do homem» a Maria, sua Mãe, e a José, o carpinteiro. Esta sua «obediência» filial não é já a primeira manifestação daquela obediência ao Pai «até à morte» (Fil 2, 8), por meio da qual redimiu o mundo?”

Rezemos para que Jesus, por meio da Sagrada Família e de São Ricardo, suscite em nós o desejo de formarmos uma família santa, tradicional, sem modernismos, futilidades, padrões errôneos, mas com uma verdade eterna: a necessidade de obedecer aos planos de Deus, ou seja, uma família temente ao Senhor, baseando-se em Maria, José e no Menino Jesus.



“Tua mulher será em teu lar como uma vinha fecunda. Teus filhos em torno à tua mesa serão como brotos de oliveira. Assim será abençoado aquele que teme o Senhor.” Sl 127, 3-4 

Referências:

1- Carta do Papa João Paulo II às famílias

2- Exortação Apostólica Pós-Sinodal do Sumo Pontífice FRANCISCO. Amoris Laetitia (A alegria do amor) sobre o amor na família. Edições Paulus – São Paulo 2016


Gleice Kelly
18 anos, Católica, batizada, crismada, catequista e integrante do Movimento TLC- Diocese de Palmeira dos Índios/AL;
Estudante de Ciências Farmacêuticas- UFAL.

Um comentário:

  1. Parabéns pelas belíssimas colocações!!! Tens uma escrita bem coerente e abençoada pelo nosso bom Deus.

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