“Eu sou aquilo que Deus pensa de mim”

"Ó meu Deus, longe de me desencorajar à vista de minhas misérias, venho a vós com confiança…" Pois "eu sou pequena demais para subir a rude escada da perfeição." (Santa Teresinha do Menino Jesus)



“Eu sou aquilo que Deus pensa de mim”. Ao refletirmos acerca dessa aclamada frase de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, é possível adentrarmos em um campo de pensamento muito importante aos dias atuais, tanto no âmbito cristão de quem busca a santidade, como das pessoas em geral: Identidade. Quem eu sou? Quem você é? Será que conhecemos a nós mesmos? O que pensam sobre mim? Esses questionamentos são comuns e até necessários, em certa instância, visto que, como Santo Agostinho nos coloca: O conhecer-se é necessário para o ato de aceitar-se e superar-se.

Santa Teresinha, padroeira das missões, cuja memória litúrgica é celebrada nesse mês de outubro,  dotada de espiritualidade carmelita, sempre colocou a oração, contemplação e reflexão, em um patamar de extrema importância em sua vida, o que desencadeou na santidade que é uma constante intimidade com Deus. Assim, o recolhimento, a humildade e a oração são essenciais para o entendimento de nós em sobreposição de entendimentos alheios. Para ela dar a importância devida à vocação do amor, fez-se necessário uma luta interior de conhecimento de si mesma, mesmo diante de sua imaturidade, imperfeições e dores, buscando valorizar o que era pequeno, natural e bondoso em sua vida, para assim ser atraída por Deus que é amor, justiça e misericórdia.

Entretanto, para um cristão, o dar-se como exemplo é essencial, visto que a vivência do Evangelho nos leva a sermos ativos, coerentes e condizentes com aquilo que lemos, ouvimos, aprendemos e somos inspirados por meio do Espírito Santo. Dessa forma, devemos desconsiderar o que pensam de nós? É aqui onde se encontra o perigo: não se trata de não dar importância ao que pensam de nós, mas se estamos priorizando o nosso ser em Deus e para Deus, se o que Deus pensa de mim está sendo condizente com o que eu sou e com o que as pessoas enxergam em mim.

Certamente, seremos, inúmeras vezes, mal vistos, mal interpretados, criticados, humilhados... Afinal, Jesus o foi. Ele jamais mereceu qualquer zombaria, bofetada, desconfiança, qualquer crítica, mas recebeu, afinal, está em Mt 8, 20 que “As raposas têm suas tocas e as aves do céu, seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça.” Isso porque “o Diabo, inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar. Resistam-lhe, permanecendo firmes na fé, sabendo que os irmãos que vocês têm em todo o mundo sofrem os mesmos padecimentos que vós.” (1Pd 5, 8-9).


Assim, estejamos preparados para entender que os pensamentos alheios podem ser incoerentes para o que nós aparentamos ser, para o que pensam de nós. Contudo, que jamais sejamos incoerentes com relação ao que Deus quer que sejamos, bem como para o que Ele pensa de nós. Ele nos ama como somos, com nossas limitações com nossos medos, angústias, com nossos erros, mas, principalmente, com nossa vontade de lutar, de acertar, pois reconhece o que nem nós mesmos conhecemos de nós, menos ainda, os nossos próximos que são tão pecadores quanto nós.

Uma música muito bela da Comunidade Católica Shalom nos fala desta temática com muita beleza e verdade: "Bem mais do que eu mesmo me conheces, Tu sabes dos segredos do meu coração, Tu sabes de minhas dores, de meus planos, me conheces como a palma de Tua mão..." Ouça-a a seguir, faça dela sua oração em busca do autoconhecimento, e, primordialmente, do desporjar-se no infinito conhecimento que Deus tem de nós:


Santa Teresinha rogai a Deus por nós, para que, conhecendo-nos a nós mesmos, possamos descobrir, também, nossa vocação do amor!

Gleice Kelly
Tem 18 anos, é estudante de Farmácia na UFAL e integrante do Movimento TLC- Diocese de Palmeira dos Índios/AL.


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