O papa deixou-se benzer por uma indígena?

Diz a manchete: “O papa deixando-se benzer por uma indígena do Chile, que lição de humildade e respeito às crenças do próximo. Esse é um verdadeiro representante do Cristo.”

Peço desculpas, de antemão, e inicio afirmando que a minha intenção não é ferir ou magoar quem quer que seja, mas unicamente suscitar uma reflexão mais profunda a cerca dessa foto e da manchete que tão amplamente tem sido veiculada. A única fé que é plenamente racional é a fé do Filho de Deus, que, encarnando-se, revelou-nos o “rosto do Pai” e o advogado dos homens, o “Paráclito”; esta é a fé que hoje conhecemos como Católica. Quanto ela tem sofrido, quanto tem sido deturpada, maculada, vilipendiada, depredada. E tudo isso em favor de que? Comoção pública! Arrebanhamento de “seguidores” que estão completamente despreparados para exporem as razões de sua fé, como exigiu dos cristãos de todos os tempos o primeiro Papa!

O “papa” não deixou-se “benzer”, isto é um erro crasso, simplesmente porque ele não crê naquela bênção que estava recebendo. Entendeu? Não pode receber uma bênção quem não professa a mesma daquele que a concede. Os exemplos bíblicos são incontáveis. E mais, não espere isso de um jesuíta! Que ele confunda a sua fé. Nunca! Ele deixou-se “benzer” porque “precisa” de público, de audiência!  Público! Isso mesmo! Uma massa que olhe para o papa e esqueça todo o resto. Uma massa que está olhando para um homem vestido de branco e esquecendo um Deus vestido de sangue. 
Atenção, não estou querendo dizer que está foi a intenção de Francisco, muito provavelmente ele só estava recebendo um cumprimento, pelo menos na cabeça dele. Contudo, na cabeça do jornalista que não entende nada de catolicismo não foi só um cumprimento que aconteceu. Percebe? Uma coisa é o que Francisco faz, outra muita diferente é o que têm dito que ele está fazendo. 

Um Papa nunca trocaria o Sangue de um Deus por manobras midiáticas! A manchete que tem sido vinculada nas redes sociais diz, de modo emblemático, “Esse é um verdadeiro representante do Cristo”. Mesmo com o erro gramatical - “esse” no lugar de “este” - o sentido implícito de ruptura com a tradição bimilenar da Igreja é claro. Será que homens como João Paulo II, João XXIII, Paulo VI e tantos outros não foram verdadeiros representantes de Cristo porque nunca se deram ao trabalho de deixar-se “abençoar” por um indígena? 

Meus irmãos, os tempos em que vivemos são tempos sombrios. São dias de muitas nuvens e trevas. Não podemos nos deixar convencer por qualquer notícia produzida sob uma finalidade elaborada. Quem diz que a fé católica é compatível com todos os credos não faz outra coisa senão zombar do nome divino de Cristo, zombar do seu sangue e do de tantos mártires que por Ele ofereceram e permanecem oferecendo suas vidas.



Luiz Couto
Diocese de Palmeira dos Índios, Licenciado em Filosofia. Cursa o 3º período de Teologia. 

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