É permitido bater palmas na missa?

Em paróquias com a presença de grupos chamados "carismáticos", como a Renovação Carismática Católica e seus seguimentos, essa realidade é ainda mais evidente. Mas, afinal de contas, é permitido ou não ao fiel bater palmas na missa?



Muitos fiéis católicos em todo o Brasil tem dúvidas sobre a permissão de bater palmas na missa, até porque, em diversas paróquias e capelas espalhadas por nosso país, o próprio padre "puxa as palmas" e motiva os fiéis a essa prática, hoje, tão comum no Brasil. Em paróquias com a presença de grupos chamados "carismáticos", como a Renovação Carismática Católica e seus seguimentos, essa realidade é ainda mais evidente. Mas, afinal de contas, é permitido ou não ao fiel bater palmas na missa?

Inicialmente, é preciso que, antes de resolvermos essa questão, saibamos o que é a Santa Missa. A Encíclica Mediator Dei, do papa Pio XII, assim dispõe: "O augusto sacrifício do altar não é (...) uma pura e simples comemoração da paixão e morte de Jesus Cristo, mas é um verdadeiro e próprio sacrifício, no qual, imolando-se incruentamente, o sumo Sacerdote faz aquilo que fez uma vez sobre a cruz, oferecendo-se todo ao Pai, vítima agradabilíssima"¹.

Ora, a Santa Missa não se trata de uma mera representação do sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, tampouco, de uma comemoração vazia, mas sim, é verdadeiramente o próprio sacrifício, o calvário que se faz presente, como há dois mil anos, no qual Cristo é imolado, sem derramamento de sangue, para a salvação da humanidade.

Partindo desse princípio, observemos o seguinte questionamento: Caberia a mim bater palmas se me fosse dada a oportunidade de estar, há dois mil anos, naquele lugar onde Cristo foi crucificado? Pois este lugar é a própria santa missa. Muitos se utilizam do argumento de que Cristo ressuscitou e por isso a missa é um momento de alegria e júbilo pela ressurreição. Ora, não me parece piedoso, prudente, nem sóbrio, bater palmas diante do calvário, mesmo sabendo que Cristo já ressuscitou. Nós só conseguiremos entender essa realidade, se compreendermos que é o Sacrifício mesmo e único de Cristo que se faz presente na Missa, e que me é dado o dever de comportamento tal qual a ocasião merece.

Importante mencionarmos aqui os ensinamentos de São Padre Pio de Pietrelcina sobre a Santa Missa:

"Como nós devemos ouvir a Santa Missa?
- Como a assistiam a Santa Virgem Maria e as Santas mulheres. Como São João assistiu ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrificio sangrento da cruz.


Perguntaram ao São Padre Pio uma vez : qual é o problema de bater palmas na Santa Missa?

São Padre Pio respondeu : é verdade ...
No Calvário também havia a quem aplaudia a morte de Cristo, soldados e demônios".

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Muitas pessoas se utilizam do argumento capcioso de que a Igreja deve estar aberta ao "espírito do concílio", se referindo ao Concílio Vaticano II, no entanto, não há qualquer documento conciliar que permita palmas na Santa Missa, tampouco dispõe sobre qualquer coisa relacionada a esse aspecto, tanto que o próprio papa João XXIII instruiu os fiéis a não baterem palmas na Igreja, nem na missa e nem em qualquer outro momento dentro da Igreja:

"Estou muito satisfeito por estar aqui. Mas eu devo exprimir-lhes um desejo: que na igreja não gritem e não batam palmas, nem mesmo para saudar o Papa, porque Templum Dei Templum Dei (o templo de Deus é o templo de Deus). Agora, se vocês estão felizes em encontrar-me nesta bela igreja, imagine como o Papa não está feliz em ver seus filhos! Mas assim que ele vê seus filhos, eles batem as mãos na frente de sua face. E esse que está diante de vocês é o sucessor de São Pedro!”²




A Igreja, inclusive durante o Santo Sacrifício, deve manter um profundo silêncio e recolhimento piedoso, pois é um momento sagrado, no qual o fiel precisa concentrar-se para rezar com calma e tranquilidade. São João Paulo II também falou sobre este tema, aconselhando que o sacerdote zelasse pelo silêncio:

"O sacerdote, que celebra fielmente a Missa segundo as normas litúrgicas, e a comunidade, que às mesmas adere, demonstram DE MODO SILENCIOSO MAS EXPRESSIVO o seu amor à Igreja." ³

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Há, ainda, que se falar sobre as regras litúrgicas da Igreja. A liturgia da missa e suas regras estão dispostas em alguns documentos, dentre os quais está o Missal Romano, no qual está contida a Instrução Geral do Missal Romano que, como o próprio nome já diz, nos ensina como bem viver este momento.

Todas as regras contidas no missal são de observância obrigatória, sendo, algumas delas, normas de caráter vinculado, ou seja, normas nas quais o sacerdote só tem aquela forma de realizar determinado ato litúrgico, e normas discricionárias, ou seja, o missal dá a possibilidade de o sacerdote realizar determinada ação litúrgica de um jeito ou de outro jeito, porém, jamais de modo que não esteja contido nas suas regras litúrgicas. Não se pode, porém, inovar, ou seja, acrescentar, modificar ou suprimir uma ação litúrgica se isso não for expressamente autorizada por algum documento oficial.

Nesse sentido, não conta em um documento sequer a permissão ou previsão de palmas no rito da Missa, nem acompanhando músicas, nem mesmo após a leitura do evangelho, e como já foi dito, tudo o que não está prescrito em documento oficial para a celebração litúrgica da missa, é ato anti litúrgico, desse modo, ainda que a cultura do povo seja a da folia do carnaval, do axé, do forró... não se bate palmas na missa, pois é ato anti litúrgico, já que não está previsto nas regras próprias.


  1. Carta Encíclica Mediator Dei, sobre a Sagrada Liturgia, n. 61
  2. São João XXIII; 1963, Ostia, IV Domingo da Quaresma
  3. S. João Paulo II, Encíclica Ecclesia Eucharistia

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